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Jovem Guarda

A juventude brasileira dos anos 60 poderia ser dividida em dois tipos de pessoa. De um lado havia uma juventude “universitária”, que fazia passeatas, assistia O Fino da Bossa na TV , não perdia um festival da canção e, nas horas vagas, estudava um pouco. Mas também havia uma outra platéia – bem mais numerosa – que consumia os discos e programas de um tipo de rock básico tocado ao ao modo dos Beatles, Rolling Stones e Beach Boys. Com o nome ironicamente tirado de um livro de Vladimir Ilich Lenin, a Jovem Guarda entreteu a juventude brasileira, com diversos programas de televisão, shows pelo país e milhares de discos gravados, entre LPs e compactos. Além disso, foi com a Jovem Guarde que se consolidou uma música específica para o consumo jovem. Foi um das primeiras grandes vendas de discos nacionais como reflexo da beatlemania e a invasão do rock britânico nos Estados Unidos. A Jovem Guarda foi a resposta brasileira à invasão do rock inglês, especialmente aos Beatles. A relação entre o nascente rock brasileiros e as bandas inglesas foi, em um primeiro momento, de disputa, como na na música Betlemania, de Erasmo Carlos. Erasmo bradava, no auto de seu nacionalismo, "vou acabar com a beatlemania ... se eu não puder na mão, vou até de pau ... podem vir todos os quatro" ... etc ... Perdida a batalha só restou a render aos cabeludos de Liverpool. Renato e Seus Blue Caps com Menina Linda/I Should Have Know Better assinaram definitivamente essa rendição. Depois disso, foram centenas de covers e versões, que incluiu até mesmo a gravação de Lady Madona pelos Mutantes. A resistência inicial, no entanto, serviu para afirmar uma identidade própria para o rock brasileiro dos anos sessenta, que por meio da Jovem Guarda criou uma linguagem particular e nacional para a música jovem. A nova onda logo transformou-se em mania nacional, com direito a grifes de roupas, como as calças Zé Beto, e toda sorte de bugigangas com as marcas dos ídolos do movimento. Apesar da origem do nome, a Jovem Guarda foi acusada de se manter afastada dos conflitos políticos, mas nem por isso pode ser tachada de alienada, já que alguns de seus integrantes eram direitistas assumidos.
Punk Americano

Pense em um grupo de punks.
Aposto que a imagem que veio a sua cabeça foi a de garotos com cara de mau, coturnos, calças rasgadas, tatuagens, brincos e piercings por todo corpo, ostentando cabelos coloridos com penteado espetado ou moicano. Parece que foi essa a imagem que ficou do punk. Entretanto, na década de 70 algumas bandas americanas não apresentavam nenhuma dessas características e, apesar disso, foram chamadas de punk.
O prólogo desta história se passa em 1965, no auge do movimento hippie e muito antes do auge do punk inglês, em 77. Enquanto os Beatles cantarolavam ieieiês em sua fase angelical e Mick Jagger e Keith Richards ainda engatinhavam em suas primeiras composições, Lou Reed tocava "Heroin" e "Waiting for the man" para John Cale, com quem ainda nesse ano formaria o Velvet Underground. A utilização dos ruídos e as temáticas das letras, extremamente urbanas e niilistas, seriam o beabá de qualquer banda punk nascente.
Capítulo1: Entretanto Somente depois de Iggy Pop e seus patetas (The Stooges), podemos mesmo falar de punk. Há uma notável descontinuidade entre os beatniks revoltados do Velvet Underground e os garotos sujos, feios e burros do The Stooges, Television, New York Dolls, Richard Hell and the Voidoids e Ramones. Enquanto Lou Reed trafegava livremente no meio artístico, seria possível que a turma de Iggy não reconhecesse a Monalisa, se a pusessem em sua frente. Em uma época onde o virtuosismo estava no auge, os Stooges faziam apenas uma versão tosca e despretensiosa do velho Rock n´Roll. Isso tudo com, no máximo, 3 minutos e 3 acordes. O punk nasce como uma resposta natural ao rumo que o Rock havia tomado, a preocupação artística crescente parecia deixar de lado sua verdadeira essência - a diversão.
Capítulo 2: 1975, Connecticut, EUA. Três jovens, Eddie McNeil (Legs McNeil posteriormente), John Holmstron e Ged Dunn, decidem trabalhar juntos durante as férias. "Acho que devíamos lançar uma revista" sugere John, "se a gente tivesse uma revista, poderia beber de graça. As pessoas nos dariam bebida de graça." acrescenta. Eles queriam escrever sobre a realidade de suas vidas, o que não tinha espaço em lugar nenhum. "Cheeseburgers, reprises na TV, trepar, quadrinhos, filmes B e Rock n'Roll". Desse trabalho nasceu a revista Punk. Estava batizada a criança.
Epílogo: Somente em 76, depois da turnê londrina dos Ramones, que os garotos do Sex Pistols e o The Clash, tomam coragem para formar suas próprias bandas. Em 77 temos a explosão do punk inglês com cabelos coloridos, estratégia de marketing e tudo mais. Para Legs McNeil essa data simboliza o fim do punk.
Religião



Caracterizar o Rock n'Roll como um movimento religioso pode parecer impróprio para os mais puristas, tanto em relação ao rock quanto em relação à religião. Podemos definir uma Religião como uma crença no sobrenatural acrescida de um aparato técnico-ideológico-procedimental que legitima essa crença. Em cada uma de suas pequenas seitas, o culto ao Deus Rock reúne pessoas com compromisso com um determinado conjunto de crenças, um estilo de vida com seu próprio sistema de moda, linguagem, e valores e alguns levam isso tudo muito a sério.
Todo sábado a noite milhares de jovens se reúnem em templos de todo mundo para cultuar o Rock n'Roll. Os CDs trazem os textos sagrados a serem apreciados e discutidos, Woodstock foi o maior exemplo de cruzada e Menphis funciona como um tipo de Meca ou Jerusalém. Os nossos padres, bispos, arcebispos são nomeados pela proximidade que se encontram de Deus, mas também pelo discos de platina conquistados. A dança, a diversão - tal como as drogas e o sexo em alguns casos - são os sagrados sacramentos do Rock.
É bem verdade que as semelhanças entre a experiência da música e a religião é um assunto velho e gasto. Há muito tempo a psicanálise já salientava o papel da música em dissolver o indivíduo torná-lo uno com o universo. Entretanto só no rock fica claro a existência de um culto religioso, onde o que está em jogo não é apenas sua relação com a música, mas sim um estilo de vida. Somente o Rock poderia preencher o significado do termo religião.
Em meados da década de 50 os velhos profetas (Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, Little Richards, Ritchie Vallens, Buddy Holly..) começaram a preparavam a terra para a vinda do Rei (como os iniciados o chamam) e seus apóstolos (John, Paul, George, Ringo, Jimi, Mick, Keith...) que consolidariam a religião que iria mudar todo o mundo. Até hoje nos preparamos para o dia do Juízo Final quando o Rei voltará a tocar entre nós e só os escolhidos ganharão ingressos para o show. E lembrem-se: Elvis não morreu, ele vive em cada solo de guitarra.
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